CM da Maia avança com venda de terrenos para Academia do FC Porto

A Câmara Municipal da Maia aprovou, numa sessão realizada esta segunda-feira, a realização de uma hasta pública para a venda de terrenos destinados à futura academia do FC Porto. O valor base fixado para a alienação ascende a 3,36 milhões de euros, abrindo caminho para a concretização de um projeto há muito ambicionado pelo clube azul e branco. No entanto, a decisão não foi isenta de polémica, com o Partido Socialista (PS) a levantar questões acerca do processo.

A proposta, que contou com a oposição do PS, engloba 18 parcelas de terreno num total de 140.625 metros quadrados, integradas no projeto do Parque Metropolitano da Maia. A operação, que ainda necessita de ratificação em Assembleia Municipal agendada para 25 de março, surge em um momento politicamente sensível, antecedendo as eleições no FC Porto, marcadas para 27 de abril.

Os socialistas criticaram o valor de venda por metro quadrado, fixado em 23,89 euros, considerando-o desajustado e acusando a autarquia de construir um “fato à medida” da FC Porto SAD. Francisco Vieira de Carvalho, do PS, destacou a singularidade da situação, argumentando que o preço estabelecido colocaria os terrenos a um valor abaixo do mercado, sugerindo um benefício injusto para o clube.

Em defesa da avaliação, o presidente da Câmara, António Silva Tiago, da coligação PSD/CDS-PP, assegurou que o preço base foi determinado por avaliadores externos e reflete um valor justo, tendo em conta a avaliação técnica e comparativa com outras aquisições de terreno pela autarquia. Silva Tiago enfatizou a transparência e a isenção do processo de hasta pública, destacando que o mesmo é aberto a todos os interessados e não apenas ao FC Porto.

A controvérsia estende-se aos critérios de execução para o desenvolvimento do terreno, com o vereador do Planeamento Territorial, Mário Neves, a esclarecer que qualquer entidade adquirente será obrigada a cumprir o estipulado na unidade de execução. Neves também mencionou o processo eleitoral no FC Porto como um fator de distorção na perceção pública da venda, reiterando que o foco da autarquia é o cumprimento do projeto independente do comprador.

A aprovação da venda dos terrenos representa um passo importante para o FC Porto na realização do projeto da sua academia, mas também levanta questões sobre a gestão do património público e a equidade no tratamento de entidades desportivas por parte das autoridades locais. O desenrolar da hasta pública e a subsequente ratificação em Assembleia Municipal serão momentos decisivos para o futuro do projeto e para a transparência do processo em questão.

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